Voz Amália de Nós – António Variações
Às vezes, parece que nos “autorizamos” a gostar de alguma coisa feita em português e, de um momento para o outro, passa a ser moda: os Xutos são sempre incontornáveis, os Clã porque sim, a Mariza porque até Peter Gabriel gosta, a Dulce Pontes porque o Richard Gere pôs a “Canção do Mar” a tocar num filme, o Rodrigo Leão porque é uma espécie de filho pródigo que o Japão e Espanha quiseram adoptar, os Madredeus porque enchem o Olympia… E às tantas sou eu que estou a ficar velha e lembro ainda quando o rock resolveu nascer em Portugal e a euforia das bandas que se sucediam na senda de um Chico Fininho. E era em português. Não parecia mal ser em português. E o pessoal gostava de mascar chiclets e de ter heróis do mar e até mesmo de coisas estranhas, tipo zuvi zava nova… De vez em quando, lembramo-nos do Variações também. E os Humanos até chegam a fazer sucesso. A Amália-símbolo está no Panteão. Na rádio, na rua, na televisão, canta-se em inglês…
Outubro, 4 at 3:43 pm
Tenho a ideia de que antes do Chico Fininho, os Arte & Ofício, os Tarântula, os UHF e outros cujo nome não fixei andavam por esse país a dar ao couro.
E hoje, os Tops de venda continuam a ser os Tonys Carreira deste país e as colectâneas com músicas de telenovelas para adultos ou para jovens. 😉
Por isto tudo entendo que apesar de uma élite cosmopolita bem pensante das áreas metropolitanas continuar a querer impôr o inglê na música, o português continua a preferir o que é cantado na sua língua.