Vi-o ainda uma vez. Fi-lo por ele mas, acima de tudo, fi-lo por mim. Por saber o quanto me era querido e como tinha sido covarde por adiar tantas vezes ir. Vi-o vivo ainda, sorridente e tão, tão longe do velho amigo que conheci, cheio de alegria de viver e olhos brilhantes de felicidade. Lembrar agora as coisas boas, as passagens de ano partilhadas, aquela vinda ao Porto e o passeio à beira rio, o vinho do Porto nas caves, a sangria fabulosa, o abraço inteiro que sabia dar, o dia em que me tentou ensinar a dançar nos ritmos da terra que trazia no lindo tom de pele e no jeito gingado, quente, táctil e afectuoso com que nos recebia e mimava. Vou sentir-lhe a falta. Tanto! Como só nos fazem realmente falta as boas pessoas, aquelas que parecem ser sempre removidas demasiado cedo da nossa companhia. Hoje, com um soluço atracado na garganta e lágrimas teimosas que não sei conter, sinto-me pobre. Muito mais pobre.

O outro já não é só meu.  Aqui faz mais sentido uma declaração de voto banal e facilmente esquecida, como são todos os votos de todas as vozes banais, despachadas para os arquivos mal passa a euforia eleitoral.

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Já desisti de ver aparecer algo de novo. Se fosse pelo cromo a concurso, ficava-me pelo Jerónimo, que até parece boa pessoa. Mas não sendo isto uma questão de cromos, não encontrando valia na cassete comunista, muito menos no populismo do BE ou do CDS e vendo em MFL apenas um grave erro de casting, sobra-me o palhaço de serviço: ao menos ao votar nesse sei ao que vou e com que conto. Domingo voto PS.

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Viver apaixonadamente pode ser muito pouco seguro para qualquer coração que se quer saudável. E a experiência traz-nos os limites do conformismo…

Morro de medo de me afastar demais do que sonhei ser. Só isso. Se fizer pontaria, talvez ainda me encontre…

… já me passou a idade do pasmo.